OBSERVE-A COMO FAZIA O ARTISTA
Augusto Oppo tinha o hábito de semicerrar os olhos tanto enquanto pintava como ao observar a obra concluída, atenuando os pormenores para fazer emergir as formas, a luz, os contrastes e o ritmo da composição.
Esta experiência interpreta digitalmente esse gesto: não reconstitui com exatidão o que ele via, mas convida-nos a imaginar como a obra poderia aparecer ao seu olhar.
Mantenha premido para a observar como fazia o artista.
ASO-0471 · 1983
Limiar do azul
DADOS E FONTES
Temas e linguagem visual
Azul e ocre confrontam-se como dois campos de gravidade diferente. Verdes e turquesas prolongam-lhes o movimento, enquanto ao centro pregas translúcidas violetas e cinzentas se reúnem num nó que parece ao mesmo tempo corpo, passagem e colisão. Perfis escuros e diagonais finas impedem os campos de estabilizar. Datada de 1983, a obra torna evidente o modo como Oppo usa a cor para construir espaço sem recorrer à perspetiva: cada tonalidade possui um peso, uma distância, uma voz. A abstração permanece assim ligada à experiência, como memória condensada de forças reais.
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